Fonte: Flickr

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O Brasil está em uma posição incômoda nos rankings de educação e isso terá um alto custo no médio prazo. Já existe hoje uma fuga de empregos do país porque não há mão de obra especializada e quando existe é uma opção cara. Fora os discursos políticos, isso significa simplesmente que é mais barato contratar na Argentina que no Brasil. Ponto final. Independente de qualquer ideologia, esse dinheiro não entrará na economia. Ou pior, entrará na economia de outro país por pura falta de educação do brasileiro. O ensino superior no Brasil é uma oportunidade e ao mesmo tempo um perigo para as próximas gerações.

A escassez de mão-de-obra especializada é um problema para uma nação porque impede o crescimento a partir de um determinado momento. Esse é o caso do Brasil. Não conseguimos crescer mais porque nosso potencial de produção está no máximo. Não conseguimos sequer escoar a produção do norte e nordeste, porque as rodovias são ruins e o pedágio é caro.

Precisamos de infraestrutura. Pontes, rodovias, aeroportos e portos. Mais que isso, precisamos de internet rápida, telefonia eficiente e energia. Mas como construir uma ponte se não temos engenheiros? Não se instala um datacenter com advogados, administradores, agricultores e empresários. Somente com engenheiros. E o Brasil não forma engenheiros em quantidade suficiente. Mão-de-obra qualificada demora para ser formada, além de ter um custo alto. Não apenas em termos de salário. O prejuízo é dividido entre todos. Contruir uma ponte na China chega a ser 10 vezes mais barato que no Brasil. Se isso não é suficiente, a mesma ponte é concluída com um prazo 10 vezes menor.

O mesmo princípio pode ser aplicado em qualquer área. A linguística é outro campo que me preocupa. A capacidade de comunicação do brasileiro médio é horrível. O assassinato diário da gramática me dói. Não apenas na língua materna. As pérolas do ENEM são engraçadas no primeiro momento, mas em seguida perdem o humor, porque é assim mesmo que o pessoal se comunica. Aquilo não é brincadeira, é a mais pura realidade cotidiana.

No fim, tudo se resume à educação.

Cenário atual do ensino superior no Brasil

Excluindo as universidades públicas e algumas poucas universidades privadas, temos um cenário bem feio. Os alunos se formam sem precisar estudar. Já vi casos de analfabetos funcionais formado em diversos cursos. E isso não tem muita graça. Não podemos contar com essa mão-de-obra. Ao menos não podemos chamar de mão-de-obra qualificada.

Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), 38% dos alunos do ensino superior são analfatetos funcionais. Isso eu pude verificar na minha sala de aula, enquanto professor. A universidade de baixa qualidade é um grande problema. Os cursos técnicos são uma boa alternativa, desde que sejam realmente técnicos e com um mínimo de qualidade.

Ensino realmente superior

Em um curso superior o item mais importante não é o conteúdo. O mais importante é a habilidade na solução de problemas, é a capacidade de se virar sozinho. Nesse sentido o assistencialismo e populismo da América Latina presta um grande desserviço à população. O povo fica preguiçoso, e o resto do mundo não.

Quando se diz que a matemática é chata, afastamos a disciplina do aluno. Um país que não gosta de matemática é um país pobre, com pouca capacidade de transformação.

O pano de fundo pode ser a aula de Cálculo, mas o objetivo é que o aluno exercite a lógica. Um aluno que se forma sem saber o que é porcentagem é um profissional despreparado e com pouca produtividade em qualquer área. Na aula de Ética espera-se que o aluno reflita sobre o comportamento humano, visando o equilíbrio e bom funcionamento da sociedade. E resta alguma dúvida que precisamos ter mais ética no Brasil? Será que o “jeitinho brasileiro” de levar vantagem em tudo é de fato tão legal? Na aula de estatística a parte menos importante é decorar as equações de regressão linear. Não é isso que se busca. O fundamental é que o estudante exercite o raciocínio abstrato. Esse tipo de pensamento complexo é o que precisamos atualmente no mercado profissional.

Perspectivas na educação

Estamos em um momento de decisão, onde não existem muitas alternativas. A oportunidade é proporcional ao desafio. Ou estudamos e formamos os profissionais que precisamos, ou vamos perder o bonde. E não fazer nada já é uma decisão. Errada. Mas uma decisão.

Referência

Programme for International Student Assessment (PISA)
Todos pela educação
Instituto Paulo Montenegro (IPM)

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