A música perdeu (mais) um grande contribuidor. Essa semana morreu David Robert Jones, nosso querido David Bowie. Antes mesmo do genial Space Oddity (1968) já criava arte, porque não é justo simplificar toda sua obra em apenas música. O que ele deixou foi mais do que discos.
Bodysuit de vinil
Lançou Blackstar em 8 de janeiro e foi-se poucos dias depois, aos 69 anos. Como ele prevê na música de mesmo nome, “Something happened on the day he died”. O que aconteceu foi que o mundo ficou menos artístico. Tão triste como Blackstar, um disco curto e sombrio, mas executado com muita competência.

Seu legado é o inconformismo

Seu legado é o inconformismo. Não se render ao hit fácil. Uma mente genial que poderia ter repetido fórmulas de sucesso como Life on Mars, Fame ou Let’s Dance. Mas não. Ao contrário de tantos outros artistas que optam por se manter a todo custo no topo das paradas, Bowie preferiu inventar. E reinventar. Diversas vezes. E começar tudo de novo. Um caminho arriscado. Poderia ter dado tudo errado. Não foi o caso.

Após 2 décadas de sucesso absoluto (70 e 80) e milhões de discos vendidos, ele passou outras 2 décadas (90 e 2000) escrevendo músicas alternativas, fazendo menos (ou nenhum) sucesso comercial. Inconformado que era, foi experimentar outros estilos. Nada óbvio. Pura arte.

Estilo

Seu estilo era único? Revolucionário? Diferente? Ambíguo? Afeminado? Ou apenas estranho? A resposta é: todas as anteriores. E muito mais. Era muito estilo para uma só vida. Eram muitas pessoas diferentes em uma só.

O camaleão mostrou que é possível ousar e ter sucesso, sem abdicar da qualidade. E arte é isso mesmo. Criar novas sensações. Cada show era como um turbilhão de sensações visuais e sonoras que o público experimentava atônito.
Bowie
Seu visual já foi andrógino, glam, minimalista, colorido. Sempre controverso. O meu favorito sempre foi o bodysuit de vinil. Nos últimos shows estava com um estilo elegante, usando ternos bem cortados, mas ele chegou a se apresentar de jeans e camiseta, que para o padrão Bowie era bem estranho…

Exemplo para as crianças

As novas gerações deveriam ser educadas com esse sentimento. Não apenas ouvir e decorar, mas criticar e propor alternativas. Não aceitar qualquer explicação. O inconformismo está morrendo, em grande parte porque as escolas não incentivam esse pensamento crítico e analítico, até mesmo contestador.

Vejo as pessoas escolhendo atalhos seguros e repetidos, mas que não trazem a mesma satisfação ou sucesso. Enquanto isso, deixamos de criar arte e tecnologia. E o resultado será um país menos criativo e evoluído. O inconformismo de Bowie é um exemplo a seguir.

Adeus, Bowie

A maior tristeza é imaginar a arte que não será criada. Acho que é isso que sentirei mais falta. Essa ousadia e a surpresa de não saber como seria seu próximo disco.

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